quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Teu tempo

 

Foque sempre naquilo que você busca. Não permita que pequenas sombras no teu caminho lhe desviem desse foco. Afinal de contas sempre tudo volta ao lugar quando o vento sopra. Você já percebe que és ontem, quando compreende as datas do passado e procura assim transportar-se para experiências passadas que não viveu, mas que ocorreram.

Eles estiveram aqui.

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O tempo passa tão rápido que se tivéssemos a consciência desse sopro teríamos mais cuidado em como vivemos nosso dia a dia e como atravessamos os diversos momentos de nossas vidas, procurando assim sermos melhores na forma de pensar, sentir, amar e nos postular, perante os fatos do dia a dia.

Ontem. Hoje. Amanhã.

Somos ontem!

Tom Capella

Pequenos deuses e a doação da palavra

É cada vez mais comum em nossos dias, nos depararmos com “personalidades” (pequenas) que julgam-se deuses, principalmente com a vaidade do intelectualismo.

(que para mim é um câncer)

Ou a vaidade do cargo que ocupa ou do ambiente que representa.

Salvo a responsabilidade perante certas instituições nobres, o ser humano sempre quer em alguns casos ser maior que Deus.

Outros sem saber efetuar a colocação das “palavras” não pensam duas vezes em ofender ou ferir, mesmo quando são objetos de uma agraciamento ou de um presente tanto de ordem moral o não.

Estão acima do bem e do mal.

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Gigantes pela própria natureza, sem beleza, sem candura, sem humildade, sem compreender nada fora do seu foco e círculo de avelã.

Por vezes de tão cegos que estão sem compreender as coisas além do seus limites de vaidade e arrogância, falam, expressam-se sem a preocupação se o que enviam ao outro lado é um dardo venenoso ou não.

Sabemos que na sociedade todos temos nossas responsabilidades, e que nossa sociedade não é idônea.

A questão não é que é só de boa vontade que vive o homem.

A questão é tomar cuidado em não ser alvo dos “hipócritas” de plantão.

Coisa que só homens de bem verdadeiros, sem medos, sem medo de perder alguns ossinhos que conquistaram para aceitar algumas bobagens e ficar calado ouvindo sobre coisas que o outro lado nem sabe da história de cada um.

A primeira premissa é o respeito ao limite das outras pessoas.

E aquele que coube o direito de falar (bobagens) coube também a condição de ouvir o que não quer.

Afinal de contas o que nos vale é o que de fato acontece, o que fica no campo das palavras, são apenas balelas que passam.

E o que mais ouvimos e presenciamos atualmente nos círculos diversos dos relacionamentos são justamente balelas e personagens preocupados apenas consigo próprios.

Pena!

Tom Capella

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pois que me dissestes um dia.
Que seria dessa forma e nesse interim.
O que eu lhe disse, que talvez ainda não estivesse preparado.
Preparei-me.
E você no seu Eu descobriu um outro Eu.
Mais forte que seu próprio Eu.
Um Eu forte e firme.
Digno de ser chamado de Eu.
O teu Eu maior.
Mas de tantos Eus teus.
Você por vezes tornou-se um Eu gigante.
Um Eu querido.
Um Eu forte.
Conciso!
Dentro dos teus Eus.
E assim você se tornou um grande EU.
E Eu como fico Eu nos teus Eus?
Há, isso já é algo de nós dois.
Tom Capella.

sábado, 3 de outubro de 2009

O que te antecipa

 

Um dos maiores problemas do homem ainda é no campo dos relacionamentos.

O ser humano sendo o único animal que rí e que possui o livre-arbítrio, por vezes não faz uso dessas atribuições.

No campo do livre-arbítrio, por vezes mesmo tendo a “liberdade” em agir em relação as mudanças que deva fazer em sua vida, leva uma vida de frustrações e vazios sendo submissas ao que não concorda, não aceita ou para não perder o grande amor de sua vida, as grandes oportunidades, quando na verdade oportunidade maior é quando você tem paz.

A preocupação em outros é tão grande que não apaziguam as vaidades pessoais, querem ser maiores dos que representam. Ou curtem seus pequenos reinos de avelãs, esquecendo que nosso limite termina quando inicia o limite do outro.

O posicionamento na vida nos trará sempre os resultados que queremos ou não. São as consequências desses atos. Mas por vezes o remédio tem que ser tomado. Amargo ou não. Muitos querem o fácil. Por isso vivem uma vida inteira de segunda linha.

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Hoje muitos realizados no campo intelectual ainda são como antigos selvagens no campo das emoções.

Ou vivem em desencontros cruéis no campo dos relacionamentos.

Outros sempre estão dispostos a pedir. A sugar. Mas nunca estão dispostos a doar.

Ingratos de plantão. Outros vivem fazendo algo ou pensando que o fazem para receberem benefícios da gratidão.

O mundo está cheio de bons religiosos. Cristãos de plantão. Bonzinhos de plantão.

Precisamos é de Homens justos. Pessoas justas. O resto é balela.

Muito se substituiu atitudes, sem holofotes, por discursos vazios, conversas perfumadas que não chegam a lugar algum.

Personagens, máscaras, promiscuidade moral. E notamos que no avanço tecnológico das coisas, algo ainda breca o Homem em sua busca pela evolução, ou em seu progresso moral, pela coletividade.

É o egoísmo e a virtude fantástica (má) da ingratidão.

As pessoas sempre querem mostrar a você as suas próprias verdades, mas estão sempre muito pouco preocupadas em ouvir o que você tem para dizer. O que você sente. O que bate nesse teu coração.

Vá. Liberte-se dos dogmas. Da vida de isopor que lhe impuseram. Se gosta de música, mesmo que você não passe de um simples cantor de banheiro, cante. Aprenda. Estude. Leia.

Mude tua vida, antes que a vida antecipe e mude com você.

Tom Capella.

Sonhos, Freud e Eu

 

Este sono profundo que me faz ouvir vozes. São em alguns casos as vozes da consciência. De certa forma forçando-me a acordar, levantando os braços e tentando sair daquela amarra. Daquele sono profundo, onde via a vida com outros olhos.

A consciência lhe visita homem.

E assim naquele sono profundo sei que estou dormindo. Mas acordado vendo tudo ao meu derredor. Noto por vezes onde eu poderia ter amado e não amei. Calado-me e não me calei. Abraçado e não abracei.

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Por vezes quando julguei sem a necessidade de julgar e apenas compreender. Ou quando não vivi o que eu queria viver. Ou permiti que me fizessem o que não gostaria. Ou de quando abri mão de mim mesmo por outros.

Nesse sono profundo ouvia sem parar, sem cessar alguém ao lado de minha cama varrendo o chão. Algo estranho. Cheguei a ver-me enrolado ao lençol tentando acordar, jogando-me ao chão e dizendo contra aquela voz oculta. Vou acordar. Vou acordar. E já não mais sabia se vivo estava ou além dessa por algum lugar na crença de cada um.

Mas aquilo me incomodava e eu em sono. Dizia, que o pesadelo talvez estivesse realmente me incomodando. Do nada consegui jogar-me de vez ao chão, e aqui cheguei, nestas 04h43 da madrugada para postar essa experiência interessante.

Ou seja, aqui estou. Posso mudar muitas coisas, mudando-me, mudando como vejo o mundo, como trato ainda dos que restaram nesses 43 anos de idade. E transformando-me a cada novo dia, de forma que não retorne mais ao lugar em que estive nessa madrugada, seja bem vindo Sr.Freud.

Cá estou eu.

Tom Capella

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

 

Dos meus mais sinceros sentimentos. Da minha reverência ao” outro”. Aquele que chora. Aquele que sofre. Aquele oprimido. Aos que não tiveram chances nem de saber o que eram ou poderiam ser e jogados ao mar, em navios negreiros sem nem sentir o que era esperança.

Dos grunhidos seus. Das dores tuas. Do amor a vida. Da misericórdia. Do belo. Da arte. Do detalhe. Do som. Da melodia. Do vibrato que como um estado de graça nos permite o sentimento maior da nobreza dos sentimentos.

Estas estações minhas, estes meus mais misteres. Das dores minhas, das ingenuidades minhas, das purezas minhas. Dos meus mais profundos quereres. Dos meus não mais quereres.

Dos meus gestos furtivos em relação as mais discretas observações sem ser visto. Sem querer ser percebido, ausente. Nos silêncios meus. Mas presente por momentos.

De tudo o que já me apavora a alma. Do que me tolhe a paz. Seria a imagem desses navios negreiros. Sem lá estar. Sem ouvir. Sem sentir. Apenas em saber que dessas legiões esses meus irmãos eram jogados ao mar para que os traficantes se livrassem deles, permite-me ainda sentir, mesmo após todos esses anos,  a  dor e o desespero.

Tom Capella

Mendigo

 

Ontem na chuva. Estava eu em um canto perto de uma varanda.

Ouvia vozes! Observava do meu esconderijo natural alguns grandes Homens de nossa cultura rindo e conversando sobre assuntos diversos.

Sobre a mesa notava-se,  uísque, vinho e uma tábua de frios. Em outras mesas apenas  água.

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“Estendia minhas mãos para que pudesse assim, receber um pouco dos restos, ou fragmentos de pequenas letras”.

Tentava assim do eu anônimo canto, como uma esmola pedir para que daquelas palavras saciassem minha sede de conhecimento, minha fome de vida e me alimentassem de novas esperanças.

Observava na ladeira próxima, molhada e fria, e como um palco notava meu passado.

Notava naquela frieza do asfalto o que poderia contar de minha história, e quantas vezes chorei calado e com rosto seco e sem lágrimas, com uma dor invisível em meu estômago em não aceitar injustiças.

As experiências e o grande vazio na alma.

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Em épocas diferentes de minha vida, tive a grande oportunidade do grande salto, para que me tornasse um homem idôneo e rico.

Em outras apenas deparei-me em plena avenida Paulista, meu escritório escuro, sem luz, sendo que naquela mesma tarde, neguei, rejeitei um negócio ilícito porque havia de pagar propinas para que pudesse fechá-lo, salvo minha competência no que amava em fazer.

Um mendigo da Paulista, um pobre rico homem, sem idoneidade.

Sem que “dos meus soubessem” quantas almas deveria eu comprar sem que pudessem de fato ver quem eu poderia me tornar e que de fato não tornei-me. Visto ser um mendigo ali.

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Tornei-me apenas uma sombra de personagens, sem títulos, algumas vezes apenas um pequeno rosto em fotografias que não eram para mim e sim para os titãs onde eu de papagaio de orelha ficava até sem perceber, e de forma espontânea.

Quedei meu espírito e notei meus trapos.

Notei meus pés descalços e comecei a remexer a água a minha frente, delas comecei a notar como em cores diversas, letras formando-se.

Sim, “eles me viram”. Jogaram para mim algumas pequenas letras para que eu brincasse de alguma coisa.

Uma sombra tentando manifestar-se.

“Daqueles restos de letras, uma letra a, uma letra b, um pedaço de frase ali, um pedaço de frase aqui, fui crescendo, fui criando assim uma nova ponte, uma nova oportunidade, e fui de mendigo, tornando-me algo um pouco melhor, posicionando-me e com firmeza sem arrepender-me do passado, do que abri mão e dos que me zombaram porque não sabiam de mim quem eu era ou tentei ser realmente, talvez um verdadeiro brasileiro”.

Se meu nome é Pedro o brasileiro, João o brasileiro, Nego Sereno o brasileiro, se sou apenas uma semente. Se sou apenas uma vertente de algo. Se sou sombra, se sou um nada. Se sou apenas um personagem número 2, ou apenas um conto, um cabano.

Posso mesmo sendo um bastardo, dizer que aprendi com eles, aqueles lá da varanda, a desenvolver minha sensibilidade, minhas melhores virtudes e compreender que a riqueza da vida é a consciência em ter passado por aqui, em ter amado, ouvido, sentido a música, sentido os livros que li, os lugares que passei e o respiro das pessoas que encontrei.

Que um dia eu passei por aqui, estive aqui e amei aqui.

Da varanda, da varanda, notaram minha presença e da varanda, daquele lugar, permitiram-me que tocasse e sentisse as poesias, os contos, as crônicas, os romances, tudo isso em uma sopa de letras, das mais belas, no que fiz-me luz.

Desse sentimento de quase vida, de quase morte, de um cansaço das coisas, fui seguindo em frente.

Tom Capella.