sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Foi assim

 

Falam tanto de violência.Notamos por vezes que as coisas parecem que não terão soluções. Que os problemas sociais aumentam e os discursos substituem ações.

Coonestam e assim vão levando.

O consumo desenfreado, as quadrilhas urbanas nos faróis, os ladrões solitários nas calçadas (e que matam), os morros, os hospitais, a educação, as periferias e o descontrole da natalidade, fora os alcoólatras de sarjeta e os alcoólatras de carpete.

Alguns despostas em família. Outros vivem vida dupla. Outros apenas buscando cada vez mais milhões e milhões sem preocupar-se com a forma em que adquirem esses recursos.

Lembrei-me do dia em que saí e em horas encontrei-me jogado no chão em meio a uma tamanha violência. As vozes do mata, mata. A dor moral e as pernas sem forças para levantar-se após uma intensa luta de sangue e resistência.

Notei o quanto somos nada. Somos fracos e egoístas. Tive um par de tênis roubado. Fora que fiquei horas e horas nas mãos desses seres.

Acredito que na vida não tenha sangrado tanto e apanhado tanto como naquelas horas. O ódio era tão intenso e o desespero em tirar não somente do que poderia eu ter em termos materiais, mas queriam levar minha alma, meus sonhos, esperanças e crenças.

Mas passou.

Hoje isso continua a acontecer e a pouco vimos que um outro não teve a mesma sorte que eu tive e olhe que também reagi.

Se é sorte ou não. Nunca mais somos os mesmos. Nunca mais vivemos como antes.

Mas se morto em vida. Vivemos hoje o momento. Vivemos as pequenas alegrias e damos muito mais valor nas pessoas. As que realmente mereçam.

Assim seguimos, nessa jornada de transformações e busca do que de melhor possamos ter perdido na vida, no meu caso, não perdi a esperança na vida, não perdi a poesia em observar o mar e o que de melhor um ser humano possa apresentar na minha frente.

Afinal de contas os olhos da alma, ainda enxergam e bem.

Tom Capella

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Resquícios

 

Se pensas você que a vida destroe sonhos. Anime-se!  Mesmo que nas alegrias permeadas de tristezas. Nos momentos breves de alegria percebas por vezes a magia que emana no ar de tua sensibilidade.

Se pensas você que não vale mais à pena lutar. Observa o sorriso de uma criança que acabara de nascer e nem possas assim imaginar onde já chegou a humanidade.

Se não está feliz no país ou cidade em que vive. Acredite! Em muitos casos a solução está em você permitir teu salto, tua mudança e posicionamento em pagar para ver e mudar as coisas.

Observe que a felicidade não é completa e nunca será, mas será completa sempre nos momentos em que ela se manifeste.

Pois somente damos o valor quando perdemos e isso é fato.

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As vezes uma falta de abraço nos que amamos, na nossa falta de paciência com parentes difíceis, idosos e que nos deram muito mais amor do que poderíamos imaginar mas em ações.

Enfim, a vida sempre valerá a pena, mediante os milhões de anos que ainda chegarão e nós seremos quem sabe apenas um pequeno resquício de algo que existiu em algum ponto do cosmos.

Tom Capella

Eu quero pão!

Jogue para mim um pedaço de pão para que eu possa me arrastar e assim alimentar dos meus mais egos.

Jogue para mim  a gota sarcástica da tua pior virtude de forma que eu possa assim tentar compreender de que veneno vive o homem.

Quero então dessa mentira mais suave a poesia mais perfeita.

Dos meus trapos caio eu no asfalto singelo das tuas decepções.

Do teu adeus o tempo cortou a esperança que havia no peito ingênuo dos olhos mais brilhantes que das luas se vivia.

E assim no copo vazio sobre a mesa, noto a dor mais profunda sem corte e sem faca, sem sangue e sem lágrima, uma dor seca e ungida.

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Dos olhos teus quase angélicos, em momentos de fera tentei fazer-me belo.

Mas dos belos, apenas fui fera.

Mesmo que um dia também já me fiz belo e demasiado no que demasiadamente éra belo.

Desse rebento então sinto o nada, o vazio das esperanças e a sensação mais funesta do adeus.

Tom Capella

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Do singelo

 

Em alguns momentos da vida é muito fácil escondermo-nos dentro das mentiras. Sejam elas as mais sinceras ou as mais surrealistas. Permitimos companhias que em nada representam o que sentimos,  pensamos ou temos como princípios pessoais.

Até simpatizamos com esses novos convivas e acabamos uma hora ou outra defrontando-nos com o ímpeto forte da divergência não somente de idéias mas no agir. Mas a vida é uma divergência de experiências, mas não cabe a nós vivermos relacionamentos pagãos.

Como um ateu conviver com um certo religioso. O ateu até conviveria mas o religioso, não, ele é o superior. Independente se o ateu em relação à conduta humana seja de fato o verdadeiro cristão. Mas não é esse  que objetivo dessa palavras, e sim o quanto nós viveremos uma vida de mentiras. O quanto nos esconderemos nos discursos que nada constroem.

Até as atividades comuns quando nós prestamos atenção, percebemos o quanto podemos melhorar. O quanto podemos tirar da vida. O quanto podemos sermos diferentes e fazer com que nossas vidas valham à pena.

O quanto nos preocupamos com coisas que ficaram para trás, no passado e o quanto a vida nos levou a novas paisagens, e de nosso vagão pessoal, observássemos através das janelas o revoar dos pássaros, as árvores, os campos, a neve, o frio, o sol.

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Quantos que amávamos ficaram para trás, nas lembranças dos sorrisos ou das vozes que não ouviremos mais. Muitas vezes onde o silêncio poderia nos ser a guarida da paz ainda manejávamos a espada das palavras, querendo nos defender ou defender idéias que já estavam ou vencidas ou superadas ou alicerçadas em resultados, ou esquecidas.

Se conseguíssemos então enxergar as novas possibilidades e saindo do campo das teorias buscássemos de fato as transformações, em nossas vidas pessoais, na forma de pensarmos, respeitarmos o outro, os limites da compreensão do outro, as paisagens que muitos não viram com nós vimos, talvez assim fôssemos mais sinceros, pessoas melhores e mais autênticas.

Talvez assim compreendêssemos o real valor da paz.

Da nobre e singela paz pessoal.

Tom Capella

Transpor-se

 

A necessidade em transpor-se de um estado para outro, de um lugar para outro, de um sentimento para outro, de uma dor para um momento de auto-controle, de um não esquecimento para um esquecimento de fatos e coisas que não podemos mais mudar ou nem queremos, a libertação de fantasmas do passado, permitindo-nos um transporte seguro, uma transposição saudável ou mesmo que dolorosa, mas necessária.

A complexidade das emoções humanas norteiam o próprio destino de cada um de acordo com o desenrolar das emoções individuais, do que permitimos, auto-controlamos ou deixamos acontecer. Em espaços em que nem a razão mais comanda, apenas os sentimentos.

Mas dessas estradas que se apresentam em seu caminho, quando elas se bifurcarem e você conseguir escolher o melhor caminho, sem a influência dos inlúcidos sentimentos talvez escolha o que melhor lhe conduza ao que procuras, ou que nem sabes que procuras.

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Afinal as virtudes são tantas, orgulho, egoísmo, vaidade, obsessão pelo sucesso ou superioridade, auto-compaixão, frieza, idolatrias, os temperos são muitos, bons ou maus. Mas que podem nortear os limites do aceitável ou não aceitável pelo simples fato de o ser humano ser um ser de relacionamentos, anseios, desejos, dúvidas, medos, razões, fé, ou um último telespectador de sua própria história pessoal.

Se isso é bom ou ruim, bom seria que analisássemos as nossas possibilidades, o que podemos fazer para que possamos transpor por vezes o abismo da melancolia para o abismo dos novos anseios, que são infinitos, enquanto houver vida, enquanto houver um respiro.

Tom Capella

Traduzir

O que estou lendo..

Os dicionários costumam definir tradução como “ato ou efeito de traduzir”.

Enquanto ato, leva o tempo que o tradutor emprega no seu trabalho; como efeito, é o que resulta desse trabalho.
E o que é “traduzir”?

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O verbo “traduzir” vem do verbo latino traducere, que significa “conduzir ou fazer passar de um lado para o outro”, algo como “atravessar”.

Quando, num livro sobre a Guerra das Gálias, o autor escreve que Caesar omnem equitatum pontem traduxit, o que ele quer dizer é que o imperador conduziu ou fez passar pela ponte toda a sua cavalaria.
E traduzir nada mais é que isto: fazer passar, de uma língua para outra, um texto escrito na primeira delas. Quando o texto é oral, falado, diz-se que há “interpretação”, e quem a realiza então é um “intérprete”.

Fonte: Das páginas do livro: O que é tradução, Geir Campos.

sábado, 17 de outubro de 2009

Dos lixos

Muitas vezes somos obrigados a gerenciar, administrar problemas do passado que hoje devido ao amadurecimento, jamais ocorreriam. Mas que nos perseguem e por vezes nos minam dia a dia se permitirmos devido a dor da ingratidão.

Onde notamos até onde determinados seres humanos podem chegar, mesmo tendo sido ajudados, sem agradecer, sem ao menos perceberem que foram agraciados. Não podem dar aquilo que não tem.

E você não pode mais dar nada para aqueles que não merecem.

E quem merece?

Seja justo, não seja bonzinho. Procure na justiça da tua conduta agir de forma correta e assim poderá sentir a brisa da tal bondade em teu rosto.

As pessoas estão muito preocupadas com títulos, com posicionamentos, vaidades, rótulos, quando na verdade em grande maioria são mortos ambulantes apenas esperando a hora de cair. 

E olhe que se cair e ninguém conduzir a própria campa, poderá ficar estaticamente no mesmo lugar por milênios, deixando apenas um resquício de algo que viveu.

Pessoas erradas. Amizades vazias. Diálogos vadios. Sentimento de ajuda, que apenas temos em troca a ingratidão e desdém.

Focamos muitas vezes e muito mal as nossas boas virtudes, nossas energias em lugares que servem apenas como sepulcros caiados.

Foque tua energia para a coletividade. Em primeiro lugar seja egoísta. Sim. Egoísta. Foque em você!

Somente quando você se ajuda, se lapida, se transforma em um ser melhor, para seu próprio bem,  (não é ser bonzinho) consegue atingir um estado de paz que poderá lhe ser a sombra fresca nos momentos de melancolia ou ingratidão.

Se você está bem com você. Estará bem com os outros.

Deixe a cada um sua própria pedra, sua própria corda. As pessoas notarão muito mais como você age, do que com o que você diz ou tentar firmar para os outros o que acredita.

Hipocrisia, diálogos que não levam a lugar algum, o mundo já está cheio.

Pare de querer ajudar as pessoas, principalmente aqueles seres que chamamos de seres dignos de ajuda;  mas nem comparados aos animais podem ser, porque apenas tem o formato humano, mas são calhordas de plantão e acredite, não tem recuperação.

Faça tua parte, não perca tua candura, tua sensibilidade, que com certeza saberá a hora em que deverá ou não expressar o teu sorriso e de fato estender a tua mão para quem realmente valha a pena.

O resto é lixo.

Tom Capella